Proibição de abate nos canis põe em causa a saúde pública

Considerações do bastonário da Ordem dos Médicos Veterinários

13 setembro 2018
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A saúde pública pode estar em causa com o fim do abate nos canis municipais, alerta o bastonário da Ordem dos Médicos Veterinários.
 
De acordo com Jorge Cid, que falou à agência Lusa a propósito da proibição do abate nos canis municipais a partir do próximo dia 23, o expectável aumento de animais nas ruas – por falta de espaço nos centros de recolha – representa “um perigo para o bem-estar animal e a segurança dos cidadãos”.
 
No seu entender, haverá um “problema gravíssimo” partir do dia 23: “por um lado, as câmaras e veterinários municipais são obrigados a recolher os animais errantes; por outro lado, não têm sítio onde os pôr”.
 
Segundo o responsável, a existência de um número muito elevado de animais abandonados nas ruas dará lugar à propagação de zoonoses, doenças infeciosas de animais capazes de ser naturalmente transmitidas ao ser humano.
 
Para o bastonário, é “inevitável” que se tome “uma decisão” relativa a esta lei, aprovada por unanimidade no parlamento em 09 de junho de 2016.
 
“Alguém vai ter de tomar uma decisão e essa decisão tem de ser política, não pode ser outra […]. O problema é que há leis que podem ser corretas na sua génese, mas podem ter efeitos perfeitamente ao contrário e isto é um caso que eventualmente pode ter, se não se arranjar uma solução rápida”, afirmou.
 
A Ordem dos Médicos Veterinários lançou um programa de parceria com centros veterinários, em todo o país, para ajudar os municípios na esterilização e no tratamento de animais.
 
No entanto, segundo o bastonário, mesmo com “os veterinários a aderirem de uma forma maciça a esta problemática, dando na sua generosidade e boa vontade o seu trabalho ‘pro bono’” (…) curiosamente só 12 câmaras municipais é que aderiram a este programa, em que é debitado à câmara apenas o material que se gasta nas esterilizações”.
 
O programa continua disponível para candidaturas dos municípios e das freguesias, com trabalho gratuito dos profissionais, para evitar “um processo que pode correr bastante mal”.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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