Perda genética: apenas os humanos têm ataques cardíacos

Estudo publicado na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences”

23 agosto 2019
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A arteriosclerose (entupimento de vasos sanguíneos por depósitos de gordura) é causa de um terço das mortes por razões cardiovasculares a nível mundial. Os riscos incluem colesterol elevado, sedentarismo, hipertensão, obesidade e fumar. Contudo, em 15% dos primeiros eventos cardiovasculares, nenhum destes fatores se aplica.
 
Nissi Varki, professora na Faculdade de Medicina de San Diego da Universidade da Califórnia e colegas, notaram, há dez anos atrás, que ataques cardíacos coronários devido a arteriosclerose eram praticamente inexistentes noutros mamíferos, incluindo nos chimpanzés, que partilham os mesmos fatores de risco que os humanos.
 
Neste novo estudo atual, Varki e equipa, relatam que ratos modificados para serem deficientes (como os humanos) numa molécula de ácido salicílico (Neu5Gc) mostraram um aumento significativo da arteriosclerose, em comparação com os ratos de controlo que mantêm o gene CMAH que produz a Neu5Gc.
 
“O aumento parece estar ligado a vários fatores, incluindo glóbulos brancos hiperativos e uma tendência para a diabetes nos ratos modificados. Isto poderá explicar o porquê de até os humanos vegetarianos sem outro risco cardiovascular serem muito propensos a ataques cardíacos…”, explica Ajit Varki, co-autor.
 
Os investigadores acreditam que há milhões de anos ocorreu uma mutação genética nos humanos que inativou o gene CMAH, possivelmente devido a um parasita da malária.
 
“A perda evolucionária da CMAH por parte dos humanos provavelmente contribui para a predisposição para a arteriosclerose, quer por fatores intrínsecos, quer por fatores extrínsecos (dieta)”, explicam os autores.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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