Novas descobertas sobre a origem do autismo

Estudo publicado na revista “Neuron”

02 agosto 2019
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Cientistas da Escola de Medicina da Universidade da Carolina do Norte, EUA, descobriram a forma como um certo gene ajuda a organizar a estrutura tipo “andaime” das células cerebrais, necessária para a formação estruturada do cérebro. 
 
“Esta descoberta sugere que o autismo pode ser causado por perturbações que ocorrem muito cedo, quando o córtex cerebral ainda está a começar a formar-se”, explica a autora sénior do estudo, Eva Anton.
 
A maneira como o córtex se desenvolve é ainda um mistério, mas sabe-se que as células da glia aparecem na base do córtex em desenvolvimento, num padrão regular e espaçado. 
 
Cada célula origina uma estrutura em forma de talo, a que se chama processo basal, que se vai estendendo até ao topo do córtex. Em conjunto, as células da glia e o processo basal formam uma estrutura tipo andaime, tal como os das construções.
 
Entretanto, as células da glia dividem-se para formar neurónios corticais que trepam o “andaime” para se instalarem nas suas devidas posições no cérebro em desenvolvimento.
 
Eva Anton e colegas descobriram que existe um gene necessário à estruturação do “andaime”, chamado de MEMO1. Foram já encontradas mutações neste gene em pessoas com autismo.
 
Para perceberem os efeitos deste gene, os investigadores manipularam ratinhos geneticamente, de modo a eliminar o gene MEMO1 dos cérebros em início de formação.
 
Os resultados mostram que os “andaimes” foram corrompidos, sendo que o processo basal formou demasiados talos e que o “andaime” deixou de conduzir eficazmente os neurónios aos seus lugares, causando erros no posicionamento dos neurónios e uma desorganização de camadas.
 
Estudos realizados em cérebros de crianças autistas revelaram campos de desorganização neuronal correspondentes ao efeito descrito nos ratinhos.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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