Fibrilhação auricular aumenta risco de demência em 50%

Estudo publicado na revista “European Heart Journal”

25 junho 2019
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Um estudo concluiu que a fibrilhação auricular aumenta realmente o risco de demência, mesmo em indivíduos que não tenham sofrido um acidente vascular cerebral (AVC).
 
Conduzido por uma equipa de investigadores liderada por Boyoung Joung, da Faculdade de Medicina da Universidade de Yonsei, em Seul, República da Coreia, o estudo teve por base a análise de 262.611 pacientes Coreanos com 60 ou mais anos de idade. 
 
No início do estudo, em 2004, nenhum dos participantes tinha fibrilhação auricular. Os pacientes foram seguidos até 2013. 
 
Durante o período do estudo, 10.535 participantes foram diagnosticados com fibrilhação auricular, 24,4% dos quais desenvolveram também demência. Por outro lado, no grupo dos participantes que não desenvolveram fibrilhação auricular, apenas 14,4% apresentaram demência.
 
Ou seja, segundo Boyoung Joung, os dados apurados revelam que os participantes que desenvolveram fibrilhação auricular tinham um risco 50% mais elevado de desenvolverem demência, em relação aos que não tinham fibrilhação.
 
A equipa apurou ainda que os participantes que tinham desenvolvido fibrilhação auricular apresentaram um risco 30% mais elevado de doença de Alzheimer e mais do dobro de demência vascular.
 
Por outro lado, os investigadores observaram que nos pacientes que tinham desenvolvido fibrilhação auricular e que tomavam anticoagulantes, como varfarina ou dabigatran, o risco de subsequentemente desenvolverem demência reduziu em 40% em relação aos pacientes que não tomavam anticoagulantes.
 
“O nosso estudo sugere que a forte associação entre a fibrilhação auricular e a demência poderia ser atenuada se os pacientes tomassem anticoagulantes orais. Neste molde, os médicos devem ponderar cuidadosamente e estarem mais disponíveis para prescreverem anticoagulantes para pacientes com fibrilhação auricular para tentar prevenir a demência”, concluiu Gregory Lip, coautor do estudo.
 
A equipa especula que o mecanismo subjacente à associação verificada poderá ser devido ao facto de as pessoas com fibrilhação auricular terem alterações nos vasos sanguíneos do cérebro, que poderão ser o resultado de mini-AVC que não tenham manifestado sintomas.
 
Estes danos cerebrais poderão, com o passar do tempo, conduzir à demência, sugerem os investigadores.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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