Fármaco para a hipertensão pode aumentar risco de paragem cardiorrespiratória

Estudo apresentado no congresso EHRA 2019

21 março 2019
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Um estudo preliminar apurou que um fármaco comum usado no tratamento da tensão arterial elevada e angina poderá fazer aumentar o risco de paragem cardiorrespiratória.
 
Para o estudo, que foi conduzido por uma equipa internacional de investigadores, foram analisadas duas dihidropiridinas: a nifedipina e a amlodipina. As dihidropiridinas são usadas no tratamento da hipertensão e da angina de peito.
 
Os investigadores contaram com dados de mais de 10.000 pacientes que estavam a tomar dihidropiridinas e 50.000 controlos, recolhidos do registo de Estudos de Ressuscitação de Amsterdão Holandeses e do Registo de Paragem Cardiorrespiratória Dinamarquês.
 
A análise efetuada pela equipa demonstrou que os participantes que tomavam doses elevadas de nifedipina eram significativamente mais propensos a sofrerem uma paragem cardiorrespiratória fora do hospital do que os que não tomavam dihidropiridinas ou estavam a tomar amlodipina. 
 
Face aos achados, a equipa procurou descobrir a razão pela qual a ação dos dois fármacos era diferente. Considerando que ambos usavam o mesmo mecanismo, porque razão é que um deles fazia aumentar o risco de paragem cardiorrespiratória, enquanto o outro parecia não exercer o mesmo efeito?
 
A ação das dihidropiridinas manifesta-se através do bloqueio dos canais de cálcio do tipo L. Quando estes canais são bloqueados, o potencial de ação (alteração na carga de uma membrana associada à transmissão de impulsos nas células nervosas e musculares) das células cardíacas diminui. 
 
Um potencial de ação mais curto poderá facilitar a ocorrência das arritmias fatais que conduzem à insuficiência cardíaca.
 
“Se estes achados forem confirmados noutros estudos, poderão ter que ser tidos em conta quando for considerado o uso de um desses fármacos”, comentou Hanno Tan, investigador que liderou o estudo. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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