Falha de crescimento em bebés prematuros ligada a microbioma intestinal

Estudo publicado na revista “Scientific Reports”

12 julho 2019
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Os bebés extremamente prematuros que apresentam falha de crescimento têm também atrasos no desenvolvimento do seu microbioma intestinal, descobriu uma equipa de investigadores.
 
Num estudo conduzido pela equipa do Hospital Pediátrico Ann & Robert H. Lurie, em Chicago, EUA, a análise do metabolismo de bebés prematuros com problemas de crescimento revelou que os seus organismos respondem da mesma forma como se estivessem de jejum, apesar de terem um aporte calórico semelhante ao de bebés extremamente prematuros com um crescimento apropriado.
 
A falha de crescimento nos bebés prematuros constitui um fator de risco de incapacidade cognitiva e motora e poderá mais tarde predispô-los para a obesidade, diabetes de tipo 2 e doenças cardíacas.
 
Para a sua investigação, a equipa analisou 58 bebés que tinham nascido antes das 27 semanas de gestação, pesando em média menos de um quilograma. 
 
36 dos bebés apresentavam falha de crescimento, enquanto o resto evidenciou um crescimento apropriado. Ambos os grupos possuíam diferenças consistentes no microbioma e metabolismo, independentemente de complicações de prematuridade, como sépsis, inflamação intestinal ou perfuração intestinal.
 
Os bebés com falha de crescimento apresentavam problemas de maturação no microbioma intestinal, caracterizados por uma reduzida diversidade bacteriana, o domínio de certas bactérias causadoras de doenças (Staphylococcus e Enterobacteriaceae) e uma baixa proporção de bactérias inofensivas (como a Veillonella).
 
Aqueles bebés demonstravam ainda atrasos no desenvolvimento metabólico com características que sugeriam deficiências no metabolismo da glicose e de outras fontes energéticas que não lípidos e maior dependência em ácidos gordos. Estes bebés estavam, como mencionado, num estado fisiológico persistente semelhante ao jejum.
 
“Isto poderá explicar porque é que simplesmente aumentar o fornecimento calórico aos bebés com falha de crescimento muitas vezes não funciona. Para desenvolver tratamentos eficazes, temos que perceber melhor a forma como a sua incapacidade de utilizar nutrientes para energia é influenciada pela maturação retardada do microbioma e metabolismo”, concluiu Patrick Seed, coautor do estudo. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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