É realmente benéfico controlar a tensão arterial nos idosos?

Estudo publicado na revista “European Heart Journal”

14 março 2019
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Uma equipa de investigadores descobriu que, ao contrário do que se considera, manter a tensão arterial baixa após os 80 anos de idade e em quem tenha tido previamente um ataque cardíaco ou acidente vascular cerebral (AVC) pode aumentar o risco de morte.
 
Num estudo observacional, a equipa da Universidade de Medicina Charité de Berlim, Alemanha, demonstrou que o uso de fármacos anti-hipertensivos para chegar a níveis inferiores a 140/90 mmHg não exercem sempre um efeito protetor, especialmente com níveis abaixo dos 130/80 mmHg.
 
Os investigadores liderados por Elke Schäffner contaram com dados de participantes que tinham integrado o Estudo da Iniciativa de Berlim, nomeadamente de 1.628 adultos com mais de 70 anos de idade, no início do estudo, e que estavam a tomar anti-hipertensivos.
 
A cada dois anos, os investigadores questionaram os idosos sobre o seu estado de saúde, mediram a sua tensão arterial e função renal e analisaram amostras de urina e sangue.
 
Seis anos mais tarde, os dados foram analisados de forma estatística para determinar os possíveis efeitos da tensão arterial sobre a mortalidade. 
 
Com efeito, os investigadores apuraram que a mortalidade era 40% mais elevada nos idosos com mais de 80 anos de idade com níveis de tensão arterial abaixo dos 140/90 mmHg do que nos que tinham níveis acima dos 140/90 mmHg. O mesmo foi observado nos pacientes que anteriormente tinham tido um ataque cardíaco ou um AVC.
 
“Os nossos resultados demonstram claramente que, naqueles grupos de pacientes, o tratamento anti-hipertensivo deveria ser ajustado às necessidades de cada indivíduo”, explicou o primeiro autor do estudo, Antonios Douros.
 
“Deveríamos afastar-nos da abordagem geral de aplicar as recomendações das associações profissionais a todos os grupos de pacientes”, rematou. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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