Dor crónica: desenvolvido composto que pode substituir opiáceos

Estudo publicado na “Science Translational Medicine”

23 julho 2018
  |  Partilhar:
Uma equipa de investigadores está a desenvolver um novo composto que poderá substituir os opiáceos no tratamento da dor crónica.
 
É considerada dor crónica quando esta se manifesta diariamente durante pelo menos um período de três meses. O tratamento para este problema costuma ser com opiáceos. No entanto, esta classe de fármacos acaba por causar habituação no organismo, que acaba por se tornar mais sensível à dor.
 
Os investigadores liderados por Maria Maiarù, da University College London, Reino Unido, criaram um composto em que decompuseram uma molécula de toxina botulínica e reconstruiram-na utilizando um opiáceo conhecido como dermorfina. 
 
O composto foi batizado de “derm-bot” e usado para desativar os sinais de dor dos neurónios da medula espinhal para o cérebro. A equipa testou o composto, uma variação do mesmo, também baseado na toxina botulínica, e injeções de morfina em 200 ratinhos com inflamação e dor crónica.
 
Os comportamentos dos roedores tratados foram monitorizados durante cinco anos. “Ficámos impressionados ao verificar que uma injeção minúscula foi o suficiente para parar a dor crónica causada pela inflamação e danos nos nervos durante pelo menos um mês”, relatou Maria Maiarù.
 
A investigadora disse ainda que tanto o “derm-bot” como a variação do mesmo exerceram um efeito duradouro sobre a dor e inflamação dos ratinhos, tendo silenciado os neurónios sem ocorrer morte celular. 
 
Finalmente, a autora referiu que apenas uma injeção de “derm-bot” reduziu a hipersensibilidade mecânica da mesma forma que a morfina. O novo composto não apresentou os efeitos adversos e habituação associados com o uso frequente dos opiáceos, sendo que se for traduzido para o contexto clínico poderá revolucionar o tratamento da dor crónica.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
Partilhar:
Comentários 0 Comentário