Diabetes de tipo 1 poderá afetar o desenvolvimento cerebral em crianças

Estudo publicado na revista “Diabetes”

18 junho 2019
  |  Partilhar:
Um estudo apurou que as crianças com diabetes de tipo 1 apresentam um desenvolvimento mais lento em áreas do cérebro associadas a défices cognitivos ligeiros em relação a crianças sem aquela doença.
 
Os resultados do estudo, conduzido por investigadores coliderados por Nelly Mauras do Sistema de Saúde Pediátrico Nemours, EUA, revelaram diferenças significativas no crescimento do cérebro na sua totalidade e no crescimento de regiões daquele órgão - massa branca e massa cinzenta. 
 
Os investigadores procuraram determinar o impacto da exposição à glicemia sobre o cérebro em desenvolvimento em crianças com diabetes de tipo 1 desencadeada numa idade precoce.
 
Para o efeito, a equipa recrutou 138 crianças com diabetes de tipo 1 com uma mediana de idade de sete anos. No início do estudo, os pequenos participantes tinham a doença há 2,4 anos em média.
 
Foram efetuadas ressonâncias magnéticas na consulta inicial, 18 meses depois e 2,9 anos após a segunda consulta para medir os volumes de massa cinzenta e branca em regiões-chave do cérebro. 
 
A equipa comparou os resultados das ressonâncias magnéticas das crianças com diabetes de tipo 1 com os resultados de um grupo de controlo com 66 crianças com idades equivalentes, mas sem diabetes. 
 
Como resultado, a equipa observou que o grupo com diabetes de tipo 1 apresentava um desenvolvimento mais lento na massa branca e massa cinzenta do cérebro em todos os momentos em relação às crianças do grupo de controlo. 
 
Foi particularmente observado um menor crescimento num conjunto de regiões cerebrais, conhecidas como “rede de modo padrão” nas crianças com diabetes em relação às crianças sem diabetes. As regiões com um crescimento mais lento foram associadas a índices de glicoses mais elevados durante toda a vida.
 
“Perceber os efeitos precoces do controlo do açúcar no sangue sobre o desenvolvimento do cérebro constitui um passo necessário para o desenvolvimento de estratégias para reduzir estes riscos e as implicações sobre a saúde pública da disfunção cognitiva relacionada com a diabetes numa altura posterior da vida”, concluiu Nelly Mauras.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
Partilhar:
Comentários 0 Comentário