Desenvolvida nova técnica para detetar autismo em crianças

Estudo publicado na revista “Computers in Biology and Medicine”

11 julho 2019
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Uma equipa de investigadores criou uma nova técnica que irá ajudar os médicos e diagnosticarem mais rapidamente e de forma mais fiável as crianças com transtorno do espetro autista (TEA).
 
A elaboração da nova técnica, que foi liderada pela Universidade de Waterloo, no Canadá, foi baseada em diferenças na forma como as crianças com TEA observam o rosto de uma pessoa, em relação à forma usada por uma criança sem distúrbios neurológicos.
 
Com base nos resultados da análise daquelas diferenças, a equipa liderada por Mehrshad Sadria desenvolveu uma técnica que tem em consideração a forma com uma criança com TEA movimenta o olhar de uma parte para outra da face da pessoa que observa.
 
Para o seu trabalho, a equipa contou com 17 crianças com TEA, com uma mediana de idades de 5,5 anos, e 23 crianças sem distúrbios neurológicos, com uma mediana de idades de 4,8 anos. 
 
Foi pedido a cada criança que observasse 44 fotografias de rostos num ecrã, que tinha um sistema de rastreamento do olhar integrado. Este sistema de raios infravermelhos interpretou e identificou os locais de estímulo para os quais cada criança dirigia o olhar, através da emissão e reflexo de ondas da íris. 
 
As imagens foram divididas em sete áreas-chave de interesse nas quais as crianças tinham focado o olhar: abaixo do olho direito, olho direito, abaixo do olho esquerdo, olho esquerdo, nariz, boca e outras partes do ecrã. 
 
Os investigadores pretendiam saber quanto tempo cada criança passava a observar cada área de interesse, mas também a forma como movimentavam o olhar e observavam os rostos nas imagens. 
 
Para tal, foram usados quatro conceitos para avaliar o grau de importância atribuída às áreas de interesse ao explorarem as características dos rostos, como por exemplo: o número de outras áreas de interesse para onde a criança dirigia diretamente o olhar, de e para uma área em particular.
 
Segundo a equipa de investigadores, o uso desta técnica torna o processo de diagnóstico de TEA menos stressante para as crianças. Se for combinado com métodos manuais existentes, esta técnica poderá ajudar os médicos a evitarem um diagnóstico de autismo falso-positivo.
 
“É muito mais fácil para as crianças olharem apenas para algo, como o focinho de um cão animado, do que responder a um questionário ou ser avaliado por um psicólogo”, concluiu Anita Layton, investigadora neste estudo. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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