Descobertos novos mecanismos de morte celular em doenças neurodegenerativas

Estudo publicado na revista “Current Biology”

28 novembro 2017
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Num estudo inovador, publicado na revista "Current Biology", os investigadores usaram dois modelos animais com um distúrbio neurológico e conseguiram encontrar um processo disfuncional semelhante em moscas da fruta e ratinhos, bem como em células humanas, o que significa que as suas descobertas poderão ser replicadas no cérebro humano. 
 
Mais concretamente, eles constataram que, neste distúrbio, as células nervosas de determinadas áreas do cérebro ficam paralisadas e deixam de ser capazes de remover toxinas ou células velhas e disfuncionais, o que corresponde a um processo natural que se conhece como autofagia. A autofagia é essencialmente a forma como o cérebro decompõe o lixo celular em peças elementares, que são depois recicladas e usadas para construir ou renovar células cerebrais. 
 
Um estado de paralisia persistente na autofagia significa que as células nervosas não têm capacidade de “limpar” o cérebro, o que resulta numa acumulação de toxinas. As células ficam confusas e começam a empurrar para fora componentes internos essenciais em vez de lixo, conduzindo a uma perda de função e, por fim, à sua morte.
 
Esta nova visão de que as células nervosas podem morrer por autoingestão tem implicações importantes para as abordagens terapêuticas que têm por alvo a autofagia. Enquanto os tratamentos atuais têm por objetivo aumentar a depuração celular, neste estudo os autores conseguiram desestabilizar processos específicos que interferem na depuração celular.
 
Olga Baron, primeira autora do estudo, do Instituto de Psiquiatria, Psicologia e Neurociência do King's College de Londres, afirma: “Estudos como o nosso, que se debruçam sobre doenças genéticas raras, podem ser muito poderosos e encontrar novos mecanismos. Nós estamos atualmente a investigar se é possível replicar as mesmas descobertas em outros distúrbios em que a autofagia demonstrou ter um mau funcionamento, como o Alzheimer e a doença do neurónio motor”. 
 
Manolis Fanto, autor sénior do estudo, afirmou: “A autofagia é importante em todas as doenças neurológicas degenerativas e o que emerge do nosso estudo é como o bloqueio da autofagia mata as células nervosas de uma nova maneira, nunca antes descrita”. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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