Crianças obesas: a importância da herança genética

Estudo publicado no “Economics and Human Biology”

22 fevereiro 2017
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Um estudo conduzido por uma equipa de investigadores da Universidade de Sussex, Reino Unido, apurou que o Índice da Massa Corporal (IMC) das crianças é determinado em 35% a 40% pelos pais.
 
O estudo indicou ainda que relativamente a crianças obesas essa percentagem aumenta para 55% a 60%, o que sugere que metade da tendência deste grupo para a obesidade é determinada por fatores genéticos e ambiente familiar.
 
Para o estudo, a equipa de investigadores liderados por Peter Dolton utilizou dados relativos à altura e peso de 100.000 crianças e respetivos pais, oriundos de seis países diferentes: Reino Unido, Espanha, EUA, México, China e Indonésia.
 
Os investigadores descobriram que a transmissão intergeracional do IMC é, em média 20% oriunda da mãe e 20% oriunda do pai. 
 
Segundo o autor principal do estudo o padrão de resultados foi muito consistente em todos os países envolvidos, independentemente do seu estado de desenvolvimento económico, grau de industrialização ou tipo de economia. 
 
“A nossa evidência advém de dados recolhidos em diversos locais no mundo, que possuem diversos padrões de nutrição e obesidade – desde uma das populações mais obesas – os EUA – a dois dos países menos obesos do mundo – China e Indonésia”, comentou Peter Dolton. “Descobrimos que o processo de transmissão intergeracional é o mesmo em todos esses diferentes países”, explicou.
 
Este estudo demonstrou ainda que o efeito do IMC dos pais sobre o IMC dos filhos depende do que é o IMC dos filhos. Os investigadores observaram, que a influência dos pais era, de forma consistente, a mais reduzida nas crianças mais magras e a mais elevada nas crianças mais obesas em todos os grupos populacionais estudados.
 
Efetivamente, nas crianças mais magras o seu IMC era em 10% transmitido da mãe e 10% devido ao do pai. Nas crianças mais gordas, esta transmissão era quase de 30% devida a cada um dos progenitores.
 
“Isto demonstra que os filhos de pais obesos apresentam uma muito maior propensão para serem também eles obesos quando crescerem – o efeito parental ultrapassa o dobro para as crianças mais obesas em comparação com as crianças mais magras”, conclui Peter Dolton. “Estes achados (…) deviam fazer-nos repensar até que ponto é que a obesidade é o resultado de características de família e da nossa herança genética, em vez de decisões tomadas individualmente por nós”, acrescentou.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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