Autismo: confirmada ligação entre trato gastrointestinal e cérebro

Estudo publicado na revista “Autism Research”

06 junho 2019
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Uma equipa de investigadores poderá ter descoberto a razão pela qual muitos dos pacientes com autismo apresentam problemas do trato gastrointestinal.
 
Segundo Elisa Hill-Yardin, investigadora envolvida no achado, da Universidade RMIT, na Austrália, até 90% dos pacientes com autismo sofrem de problemas gastrointestinais. A investigadora e colegas descobriram que as mesmas mutações genéticas no cérebro e no sistema gastrointestinal poderão ser a causa desses problemas.
 
Já há muito que os investigadores têm procurado perceber o autismo estudando o cérebro. Porém a ligação com o sistema nervoso gastrointestinal só começou a ser recentemente explorada. 
 
“Sabemos que o cérebro e o sistema gastrointestinal partilham muitos neurónios e agora, pela primeira vez, confirmámos que partilham também mutações genéticas ligadas ao autismo”, indicou Elisa Hill-Yardin.
 
A equipa descobriu uma mutação genética que afeta a comunicação neuronal no cérebro e foi a primeira causa de autismo identificada que causa também disfunções intestinais.
 
Este trabalho reúne resultados de estudos pré-clínicos em animais e de um estudo clínico de 2003 liderado por investigadores suecos e um francês, que foi o primeiro a identificar uma mutação genética específica que causa o autismo. Esta mutação altera o “velcro” que mantém os neurónios em contacto próximo, afetando a comunicação.
 
O mesmo estudo, que tinha analisado dois irmãos, detetou que os mesmo tinham problemas gastrointestinais significativos. 
 
O presente estudo descobriu que aquela mutação genética afeta as contrações gastrointestinais, o número de neurónios no intestino delgado, a velocidade com que os alimentos se deslocam no intestino delgado e as respostas a um neurotransmissor importante no autismo (já bem conhecido no cérebro e agora descoberto o seu importante papel no sistema gastrointestinal).
 
Este achado confirma a existência de uma ligação entre o cérebro e o sistema nervoso intestinal e abre caminho para uma nova abordagem em relação a potenciais tratamentos que possam aliviar questões comportamentais associadas ao autismo, atuando sobre o trato gastrointestinal.
 
“Identificámos também que é necessário perceber melhor a forma como as medicações existentes para o autismo que atuam sobre os neurotransmissores no cérebro estão a afetar o sistema gastrointestinal”, afirmou Elisa Hill-Yardin.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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