Apneia e sono de curta duração: achados questionam atual conhecimento

Estudo publicado na revista “CHEST”

03 abril 2019
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A apneia obstrutiva do sono e a curta duração do sono exercem impactos clínicos distintos sobre a sonolência diurna excessiva e fatores de risco cardiometabólicos, descobriu uma equipa de investigadores.
 
Num estudo conduzido na Universidade de São Paulo, Brasil, a equipa liderada por Luciano Drager concluiu que, na sequência do seu achado, a abordagem a ambos os distúrbios de sono deverá ser distinta, com um diagnóstico e tratamento apropriados. Isto poderá pôr em questão a perceção atual sobre os distúrbios de sono.
 
Para o estudo, os investigadores compararam o impacto da apneia obstrutiva do sono e da curta duração de sono sobre a sonolência diurna excessiva, sintomas de ansiedade e depressão e vários sintomas cardiometabólicos como hipertensão, diabetes, obesidade e dislipidemia. 
 
Foram usados dados sobre 2.064 adultos que tinham participado num estudo brasileiro sobre saúde. Nenhum dos participantes estava a receber tratamento para a apneia obstrutiva do sono, medicação que interferisse com o sono ou trabalhava por turnos ou à noite.
 
Os investigadores detetaram mais distúrbios de sono do que esperavam: quase um terço sofria de apneia obstrutiva do sono, mais de um quarto tinha sono de curta duração, ou seja, uma média de menos de seis horas por noite. Cerca de 11% dos participantes tinham apneia e curta duração de sono, mas não se identificou uma interação entre ambos os distúrbios. 
 
O sono dos participantes foi medido durante sete dias, de forma objetiva, com dispositivos, e não através de relatos pessoais.
 
Os investigadores detetaram mais pessoas do que se pensava que não dormiam as horas suficientes: só um quarto dormia as sete a oito horas recomendadas.
 
Os participantes com duração curta de sono eram mais propensos a relatarem sonolência diurna excessiva, mas o problema não foi associado a obesidade, hipertensão ou dislipidemia.
 
Por outro lado, a apneia obstrutiva do sono não foi associada a sonolência diurna excessiva, mesmo com apneia severa. Este problema de sono foi, porém, associado a obesidade, hipertensão e dislipidemia, mas não a ansiedade ou depressão.
 
Na análise de um subgrupo foi detetado que a obesidade estava associada a todos os níveis de severidade da apneia, mas apenas a apneia severa estava associada a hipertensão. 
 
Nenhum dos problemas foi independentemente associado a ansiedade ou depressão. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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